O tabuleiro político do Paraná vive um momento de tensão extrema, com um abalo sísmico prestes a transformar a disputa pelo Senado. Segundo o comentarista Bruno Rizzi, da TMC, a cúpula do Partido Liberal (PL) já não esconde o pessimismo: a inelegibilidade de Deltan Dallagnol (Novo) é tratada nos bastidores como uma fatalidade jurídica inevitável, obrigando o grupo político de Sergio Moro a redesenhar urgentemente sua estratégia para evitar um colapso eleitoral.
Embora Dallagnol tente um fôlego final ao solicitar ao TRE-PR o reconhecimento antecipado de sua elegibilidade — com um parecer favorável do Ministério Público Eleitoral que tenta ignorar o passado —, o clima é de profundo descrédito. A defesa insiste que a cassação imposta pelo TSE em 2023, que barrou sua candidatura a deputado por manobras para escapar de punições no MPF, não deveria se aplicar agora. Contudo, essa tentativa de “limpar a ficha” é vista por muitos como uma cartada desesperada e pouco convincente, dado que o tribunal tem apenas até 14 de setembro para enterrar, de vez, as expectativas do ex-procurador.
Essa possível exclusão gera um efeito cascata no entorno de Moro. O cenário atual, que já era complexo, tornou-se ainda mais delicado devido às dificuldades internas na campanha de Filipe Barros (PL), o outro nome da chapa “mourista”. O deputado federal enfrenta uma crise administrativa severa, marcada pela recente perda de seu principal coordenador e por queixas crescentes de candidatos aliados, que temem não receber o fundo eleitoral prometido pela sigla.
A insatisfação com a gestão de Barros tem provocado uma debandada silenciosa. Muitos candidatos a cargos legislativos estão migrando para o projeto de Alexandre Curi (Republicanos), que, alavancado por uma ampla rede de apoio entre prefeitos e vereadores do interior, consolida-se como um nome de peso capaz de suprir as lacunas deixadas pela desarticulação do grupo de Moro.
Nesse vácuo de liderança conservadora, o nome da jornalista Cristina Graeml (PSD) ganha um protagonismo inesperado. Após ser preterida pelo grupo de Moro meses atrás, Graeml encontrou abrigo na estrutura do governador Ratinho Junior e, ao lado de Sandro Alex, tem percorrido o estado. Com 17% das intenções de voto nas pesquisas recentes, ela demonstra uma penetração surpreendente no interior e no setor do agronegócio — um flanco onde tanto Deltan quanto Filipe Barros têm se mostrado ausentes.
A pressão sobre Deltan e Moro não é um fenômeno isolado, mas o reflexo de uma articulação que ganha força em Brasília. O acúmulo de desafetos poderosos, remanescentes do período de protagonismo da Lava Jato, coloca o destino jurídico de Dallagnol no centro de um fogo cruzado que pode definir os rumos da eleição.
Enquanto isso, Gleisi Hoffmann (PT) observa o caos com atenção redobrada. A petista aposta que, em meio à fragmentação da direita e às possíveis decisões desfavoráveis do TRE e do TSE contra seus adversários, possa surgir uma janela de oportunidade para conquistar uma das cadeiras no Senado, mesmo diante de um eleitorado paranaense majoritariamente alinhado a pautas conservadoras e resistente ao PT.